Emanuel Filipe Marques Silva (N.º 1006326)

Eunice Belém Rodrigues Afonso (N.º 1006296)

Novembro de 2011

A instantaneidade está a apoderar-se da transmissão, aquisição e integração, dos conhecimentos assim como da sua transformação. Tudo isto se deve a uma cibercultura emergente, o ciberespaço apresenta-se como uma nova realidade educacional, neste momento, é exigida mais flexibilidade espaciotemporal, pessoal e grupal, quer para aprender quer para ensinar. Os conteúdos já não podem ser fixos como no passado, devendo existir uma maior abertura nos processos de pesquisa e de comunicação. Actualmente, torna-se difícil conciliar a quantidade de informação, a variedade das fontes, que nos dão acesso a ela, e o aprofundamento da sua compreensão, em espaços rígidos pouco flexíveis. É necessário adquirir competências para a seleção da informação, dando importância às informações significativas conseguindo integrá-las dentro da nossa mente e da nossa vida. A Web fornece-nos, de forma rápida e atraente, uma multiplicidade de informação, o professor deixa de ter como principal função transmitir informação e passa a ter a responsabilidade de ajudar os alunos a relacionar e contextualizar os dados. Por outro lado, o aluno deve estar pronto a recebê-los, é imprescindível que possua a maturidade para incorpora-los de modo real e significativo. A informação recolhida será incorporada vivencial e emocionalmente, tornando-se significativamente aprendida. George Siemens (2009) diz-nos “ver os outros a aprender é um ato de aprendizagem. Quando alguém decide compartilhar os seus pensamentos e ideias de forma transparente, torna-se o professor (…)”.

O colega Carlos Garcia referiu no fórum, Paradigma do virtual para a educação: “segundo Moran (2000) educar é colaborar para que professores e alunos(as), escolas e organizações transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem … uma mudança qualitativa no processo de ensino/aprendizagem acontece quando conseguimos integrar dentro duma visão inovadora todas as tecnologias: as telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas, e corporais … são importante diversificar as formas de dar aula de realizar actividades, de avaliar”. Como o colega diz foi esta “pedrada no charco” que o virtual nos trouxe.

Lévy (1996:16) afirma “o virtual não se opõe ao real mas sim ao actual”. O presente abandona o seu imediatismo, já não é um momento temporal entre o passado e o futuro, mas uma simultaneidade de momentos, distribuídos por diferentes faixas temporais.

Para Lévy o virtual é uma potência que se manifesta complementarmente à realidade, é virtualizante levando à transformação do próprio mundo, uma dessubstancialização que tem efeito de desterritorialização passando sucessivamente do privado/interior ao público/exterior podendo verificar-se também o inverso. A subjectivização e a objectivação referem-se ao construto e influência com que essa virtualização traz mutações ao nosso mundo e às nossas mentes.

Koselleck (1990) propõe em substituição do modelo de tempo histórico, perceber a assimetria entre o passado como experiência e o futuro como horizonte de expectativa, pressupondo a experiência, habitualmente considerada memória da acção ou apenas acção, compreendida como completa.

Quando o envolvimento social de um sistema se altera substancialmente passam a ser necessárias mudanças sistémicas, estas funcionam como adaptações ou transformações, da realidade que temos para nova realidade, que irá funcionar melhor no âmbito dessas mudanças. Neste momento, passamos de um ensino individual cuja liderança era autocrática para um paradigma organizacional de lideranças partilhadas. As relações profissionais eram muito competitivas, utilizava-se a produção de massa, e assim, as pessoas limitavam-se a agir em conformidade com o que delas era esperado, atualmente propõe-se uma autonomia responsável, relações cooperativas, produções personalizadas e espírito de iniciativa. Antes da mudança para o paradigma virtual, a comunicação realizava-se num único sentido, com o novo paradigma a comunicação passa a realizar-se simultaneamente por vários networkings, as tarefas eram divididas agora são partilhadas.

Em tempos de crise como os que vivemos, as necessidades e as condições para que o novo paradigma desponte são numerosas e onerosas, os actuais trabalhadores não estão devidamente apetrechados para os novos desafios. Os currículos precisam se ser reformulados, até porque, os estudantes não estão a assimilar o conhecimento suficiente.

Os novos educadores precisam de novas estruturas organizacionais, mais flexíveis, com diferentes opções e onde recebam o apoio necessário ao exercício das suas novas funções.