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Escola-Familia, uma relação armadilhada.

Na educação formal estes espaços são os do território das escolas, são instituições regulamentadas por lei, certificadoras, organizadas segundo diretrizes nacionais. Na educação não-formal, os espaços educativos localizam-se em territórios que acompanham as trajetórias de vida dos grupos e indivíduos, fora das escolas, em locais informais, locais onde há processos interactivos intencionais (a questão da intencionalidade é um elemento importante de diferenciação). Já a educação informal tem seus espaços educativos demarcados por refe_ referências de nacionalidade, localidade, idade, sexo, religião, etnia etc. A casa onde se mora, a rua, o bairro, o condomínio, o clube que se frequenta, a igreja ou o local de culto a que se vincula sua crença religiosa, o local onde se nasceu, etc.
Qual a finalidade ou objetivos de cada um dos campos de educação assinalados?
Na educação formal, entre outros objectivos destacam-se os relativos ao ensino e aprendizagem de conteúdos historicamente sistematizados, seguindo normas e leis, de entre os quais se destacam o de formar o indivíduo como um cidadão ativo, desenvolver habilidades e competências várias, desenvolver a criatividade, percepção, motricidade etc. A educação informal socializa os indivíduos, desenvolve hábitos, atitudes, comportamentos, modos de pensar e de se expressar no uso da linguagem, segundo valores e crenças de grupos que se frequentem ou que se pertença por herança, desde o nascimento Trata-se do processo de socialização dos indivíduos.( A educação não-formal torna os indivíduos capazes de se tornarem cidadãos do mundo, no mundo. A sua finalidade é abrir janelas de conhecimento sobre o mundo que rodeia os indivíduos e as suas relações sociais. Os seus objetivos não são dados à priori, eles constroem-se no processo interativo, gerando um processo educativo Um diferente modo de educar surge como resultado do processo centrado nos interesses e nas necessidades dos(as) que dele participam. A construção de relações sociais baseadas em princípios de igualdade e justiça social, quando presentes num dado grupo social, fortalece o exercício da cidadania. A transmissão de informação e formação política e sociocultural é uma meta na educação não formal. Ela prepara os cidadãos, educa o ser humano para a civilidade, em oposição à barbárie, ao egoísmo, individualismo etc. “In this new pedagogical model, students are encouraged to learn in an interactive and collaborative environment. Distance education is a subset of distributed learning, focusing on students who may be separated in time and space from their peers and the instructor. Distributed learning can occur either on or off campus, providing students with greater fl exibility and eliminating time as a barrier to learning. A common feature of both distance and distributed learning is technology. Regardless of whether students are on campus or online, there are many implications of integrating technology into education, i.e., in making learning distributed. (E-Learning and Social Networking Handbook p26).”
Quais são os principais atributos de cada uma das modalidades educativas que diferenciamos?
A educação formal requer tempo, local específico, pessoal especializado, organização de vários tipos (inclusive a curricular), sistematização sequencial das atividades, o uso de disciplina, regulamentos e leis, órgãos superiores etc. Ela tem caráter metódico e, usualmente, divide-se por idade/classe de conhecimento.
A educação informal não é organizada, os conhecimentos não são sistematizados e são retomados nas práticas e experiências anteriores, usualmente é o passado que orienta o presente. Ela atua no campo das emoções e sentimentos. É um processo permanente e não organizado.
A educação não-formal tem outros atributos: ela não é, organizada por séries/idade/conteúdos; atua sobre aspectos subjetivos do grupo; trabalha e forma a cultura política de um grupo. Desenvolve laços de pertença. Ajuda na construção da identidade coletiva do grupo (este é um dos grandes destaques da educação não-formal na atualidade); ela pode colaborar para o desenvolvimento da auto-estima e do empowerment do grupo, criando o que alguns analistas denominam, o capital social de um grupo. Fundamenta-se no critério da solidariedade e identificação de interesses comuns e é parte do processo de construção da cidadania coletiva e pública do grupo.
Quais são os resultados esperados em cada campo assinalado?
Na educação formal espera-se, sobretudo que haja uma aprendizagem efetiva (que, infelizmente nem sempre ocorre), além da certificação e titulação que capacitam os indivíduos a seguir para graus mais avançados. Na educação informal os resultados não são esperados, eles simplesmente acontecem a partir do desenvolvimento do senso comum nos indivíduos, senso este que orienta as suas formas de pensar e agir espontaneamente. A educação não- formal poderá desenvolver, como resultados, uma série de processos tais como:
• Consciência e organização de como agir em grupos coletivos;
• A construção e reconstrução de concepção(ões) de mundo e sobre o mundo;
• Contribuição para um sentimento de identidade com uma dada comunidade;
• Forma o indivíduo para a vida e suas adversidades (e não apenas capacita-lo para entrar no mercado de trabalho);
• Quando presente em programas com crianças ou jovens adolescentes a educação não-formal salva o sentimento de valorização de si próprio (o que os media e os manuais de auto-ajuda denominam, simplificadamente, como a auto-estima); ou seja dá condições aos indivíduos para desenvolverem sentimentos de autovalorização, de rejeição dos preconceitos que lhes são dirigidos, o desejo de lutarem para ser reconhecidos como iguais (enquanto seres humanos), dentro das suas diferenças (raciais, étnicas, religiosas, culturais, etc.);
• Os indivíduos adquirem conhecimento da sua própria prática, os indivíduos aprendem a ler e interpretar o mundo que os cerca.

Bibliografia

BAUMAN, Z. Community. Cambridge: Polity, 2001.
COLL, C. Educação, escola e comunidade: na busca de um compromisso. Pátio: revista pedagógica, Porto Alegre, ano 3, n. 10, p. 8-12, 1999.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
PUTNAM, R. D. Bowling alone. New York: Simon & Schuster, 2000.
Rennie F., Manson R., E-Learning and social networking handbook, 2008.
SILVA, P. Escola – família, uma relação armadilhada: interculturalidade e relações de poder. Porto: Afrontamento, 2003.

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